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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Cheques, notas fiscais e depósitos bancários comprovam suborno em prefeituras.

Esquema envolve pagamento pela renúncia de vereador, compras fictícias e nomeação de parentes
Ministério Público Estadual apreendeu na casa do prefeito de São João da Ponte, Fábio Luiz Fernando Cordeiro (PTB),(Fábio Madeira), documentos que comprovam a compra da renúncia de um vereador da cidade para conseguir a maioria na Câmara Municipal. A investigação do MP é um braço da Operação Conto do Vigário, que pôs fim a um derrame de mais de R$ 100 milhões nos cofres públicos de 15 municípios do Norte de Minas – com a apreensão de cheques, notas fiscais, comprovantes de depósitos bancários e recibos da propina. Em razão dos crimes, Fábio Luiz foi o alvo também da Operação Grande Família, em fevereiro, que o afastou do cargo. Entretanto, ele foi reconduzido por determinação judicial. Para garantir seu esquema de fraudes, que passa também por compras superfaturadas e fictícias, Cordeiro colocou em postos-chaves da administração municipal três parentes, que também foram afastados.
Toda a documentação encontrada na casa do prefeito foi enviada ao Tribunal de Justiça de Minas, que analisa recurso do Ministério Público contra a sua recondução ao cargo. De acordo com o MP, para conseguir decisão favorável e voltar à prefeitura, Cordeiro apresentou à Justiça uma nota clonada, segundo análise da Receita Estadual, para justificar o gasto de R$ 275 mil na compra de remédios. O fisco concluiu, entretanto, que o documento tem adulterações grosseiras, como palavras grafadas de forma incorreta e numeração alterada. As novas provas também foram remetidas à 2ª Câmara do Tribunal de Justiça, onde tramita o processo, em razão do foro privilegiado do prefeito. 
O esquema de compra da renúncia do vereador Elson Geraldo Gomes Vieira, em 2007, foi denunciado pelo empresário Geraldo Paulo da Costa, que forneceu à polícia detalhes da corrupção e terminou como réu no caso. Hoje, apesar das fartas provas e da confissão de Elson sobre a existência de uma negociata, Costa está indiciado em inquérito pelo crime de calúnia. 
Motoserra
De acordo com depoimento do empresário, a negociação com o vereador teve lances curiosos, como o pagamento de parte da propina em motosserra, que faz lembrar outros escândalos no país. Segundo Geraldo Costa, cerca de R$ 10 mil foram pagos em máquinas e equipamentos comprados na empresa Vempe, de Montes Claros, conforme nota fiscal e cheques apreendidos na casa do prefeito. Os cheques para a compra foram assinados por Lucílio Ferreira de Almeida, encarregado do setor de finanças do município, e a nota fiscal foi emitida em nome do vereador Elson Vieira, comprovando a finalidade do pagamento. Outros R$ 5 mil saíram dos cofres públicos em notas de abastecimento do Posto da Produção, também de Montes Claros, com autorização, dessa vez, do assessor de gabinete do prefeito, Antônio Eustáquio Dantas Silva, que tem o sugestivo apelido de “Sombra”. Outros R$ 5,4 mil foram repassados ao vereador, que comprou ainda R$ 2,4 mil em pneus, pela mulher do “Sombra”. 
Na extensa lista para liquidar a dívida, “Sombra” foi também, segundo Costa, o responsável pelo depósito de R$ 10 mil na conta corrente nº XX8-6, agência 07XX (alguns dados foram omitidos para evitar a violação do sigilo bancário de Elson), além de R$ 9 mil em cheques. O empresário disse que para justificar os gastos eram providenciadas notas fiscais de compras fictícias. O MP conseguiu a comprovação de parte desse pagamento durante a operação de busca e apreensão nas casas de Fábio Luiz e de seus auxiliares, o secretário municipal de Saúde, Fagner Magela Cordeiro, irmão do prefeito; a secretária de Finanças, Rita Magela Dias Cordeiro, cunhada dele; e a presidente da Fundação Municipal de Saúde da cidade (Fumasa), Noeme Laura Alves Correa, prima do chefe do Executivo. A expectativa do MP é de anular a recondução de Fábio Luiz ao cargo até o fim das apurações, como ocorreu com o prefeito de São Francisco, também no Norte de Minas, José Antônio Rocha Lima, o padre Zé Antônio (PT). 
Depoimento
O ex-vereador Elson, em depoimento, confessou o recebimento do dinheiro, mas alegou que toda a transação foi feita apenas para quitar uma dívida de campanha que tinha com o prefeito Fábio Luiz, a quem teria apoiado. Segundo ele, a renúncia ocorreu para quitar dívidas de campanha, financiada pelo chefe do Executivo. “Propus minha renúncia do cargo eletivo para quitar minha dívida e pedi que fosse pago o valor restante nos meses que faltavam para o cumprimento total do mandato, que terminaria em dezembro de 2008, tendo como base o valor aproximado de R$ 3 mil, que recebia mensalmente na Câmara”, afirmou Elson em depoimento à Polícia Civil. 
Ele confirmou ainda a existência da motosserra, dos pneus e da gasolina no posto de Montes Claros, entre outros itens da negociata. Para o Ministério Público, não faz nenhum sentido “a alegada renúncia como forma de obter recursos para pagamento de dívida contraída com o prefeito Fábio Cordeiro se, ao final, confessa o ex-vereador ter recebido dele o equivalente a R$ 80 mil”.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Jornal Estado de Minas


Esquema de desvio de dinheiro público é desarticulado no Norte de Minas
 Luiz Ribeiro - Um esquema fraudulento de desvios de recursos públicos destinados à área da saúde foi desarticulado nesta quarta-feira no Norte de Minas por meio de duas operações simultâneas comandadas pelo Ministério Publico Estadual e pela Polícia Federal. A fraude envolvia a prefeitura de São João da Ponte e um empresário de Montes Claros.
À pedido do MPE, a Justiça afastou do cargo, por prazo indeterminado, o prefeito de São João da Ponte, Fábio Luiz Fernandes Cordeiro (PTB). Ele é acusado de atrapalhar as investigações. Também foram afastados de seus cargos o secretário municipal de Saúde, Fagner Magela Cordeiro, a secretária de Finanças, Rita Magela Dias Cordeiro e a presidente da Fundação Municipal de Saúde (Fumasa), Noeme Laura Alves Correa. Eles são, respectivamente, irmão, cunhada e prima do prefeito.
Por causa da relação de parentesco entre os envolvidos no esquema, o MPE batizou a ação, que contou com o apoio da Policia Militar e da Receita Estadual, de “Operação Grande Família”.
Já em Montes Claros, a Polícia Federal, por meio de mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça, apreendeu R$ 307 mil em dinheiro e mais R$ 105 mil em dois cheques (um de R$ 100 mil e outro de R$ 5 mil) na casa do empresário Hélio Rodrigues Neres, o Hélio Neres. Ele é dono de três empresas distribuidoras de medicamentos e equipamentos médico-hospitalares, sendo uma delas alvo de investigação por suspeita de participação no esquema fraudulento em São João da Ponte. De acordo com a PF, será investigada a origem do dinheiro, que poderá ser restituído para o erário, caso provada a ilegalidade.
Em São da Ponte, foram apreendidos documentos e computadores na prefeitura e nas casas do prefeito e dos suspeitos afastados dos seus postos na administração municipal. De acordo com a Polícia Federal, se for comprOvada a participação dos suspeitos nas fraudes eles poderão ser indiciados pelos crimes contra a lei de licitações ou de peculato-desvio cujas penas varIam, respectivamente, de 2 a 4 anos e de 2 a 12 anos anos de prisão.
Investigação
O suposto desvio de dinheiro público destinado à saúde em São João da Ponte vem sendo investigado desde o final de novembro de 2010, quando foi deflagrada a “Operação Conto do Vigário”, que desmantelou uma organização criminosa, que seria responsável por desvios de cerca de R$ 100 milhões, através de fraudes em licitações de várias prefeituras. Foi constatado que a empresa Hiper Distribuidora de Medicamentos – de propriedade de Fabrício Viana e da mulher dele, Isabel Cristina, presos na “Conto do Vigário”, venceu uma licitação, realizada em julho de 2010, para o fornecimento de R$ 225 mil em remédios para a prefeitura de São João da Ponte.
No entanto, de acordo com as investigações do MPE, os responsáveis pela compra teriam pedido à empresa a entrega de somente R$ 50 mil dos medicamentos. Segundo o Ministério Público, testemunhas ouvidas durante as investigação revelaram que os outros R$ 175 mil teriam sido divididos entre os donos da empresa e demais envolvidos no esquema fraudulento.
Ainda segundo o Ministério Público, o prefeito Fábio Madeira é suspeito de participar da fraude já que, por várias vezes, ele visitou a sede da Hiper Distribuidora, no Centro de Montes Claros. Ele não foi encontrado pela reportagem para comentar o caso. O advogado dele também não foi localizado.