domingo, 31 de maio de 2009

TRANSPORTE IRREGULAR DE PASSAGEIROS MOVIMENTA COMERCIO DE MONTE AZUL.






Pau-de-arara, além de titulo e tema de músicas, é o nome dado a um meio de transporte irregular e muito utilizado no Nordeste do Brasil. Consiste em se adaptar caminhões para o transporte de passageiros cobrindo a carroceria com lona e onde são colocado tábuas paralelas para servirem de assento, constituindo-se em substituto improvisado para os ônibus convencionais.
Suas origens remontam aos tempos em que não havia outras formas para o transporte de maiores quantidades de pessoas, além de estradas bastante precárias, que popularizaram este veículo de carga capaz de vencer os terrenos mais difíceis. Por sua robustez apropriada para todo tipo de terreno, e baixo custo da passagem, esse é o transporte coletivo mais requisitado pelos sertanejos.
Os paus-de-arara foram bastante utilizados durante o êxodo de nordestinos para o sul do país, mormente o estado de São Paulo - ganhando também, entre os sulistas, as acepções do passageiro destes veículos e, de forma pejorativa, a todo nordestino. Essa foi a experiência que teve o atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva,quando no ano de 1952 deixou Garanhuns no Pernambuco para ganhar a vida em São Paulo em companhia da mãe, Dona Lindu e seus seis irmãos e outros retirantes nordestinos em 15 dias de viagem.
Seu uso tem sido coibido de forma paulatina, no país, por não oferecer as mínimas condições de segurança e conforto e contrariar o Código de Transito Brasileiro. Sua "flexibilização", entretanto, foi decidida pelos responsáveis do trânsito no Nordeste, nas situações excepcionais - como durante as romarias a Juazeiro do Norte, no Ceará, e a Bom Jesus da Lapa, na Bahia..
Entretanto no norte de Minas Gerais, estado que pertence ao sudeste Brasileiro, região considerada de alto desenvolvimento, presenciamos em Monte Azul e Espinosa o alto transito desses veículos nas ruas e estradas desses municípios.
É enorme o número de paus-de-arara circulando todos os dias ligando o distrito de Riachinho e outros povoados a sede do município de Monte Azul, incluindo também os que circulam ligando essa cidade aos municípios visinhos como Mato Verde, Espinosa, Santo Antonio do Retiro, Catuti e Gameleira.São em torno de 15 paus-de-arara com linhas diárias, de segunda a sábado, levando e trazendo passageiros que movimentam o comercio local.

LIXÃO A CÉU ABERTO Lixão de Monte Azul polui rio Tremedal.














De segunda a sexta é lançado o lixo domiciliar com restos hospitalares, excrementos humanos oriundos de limpezas de fossas coletados por cinco caminhões, uma carreta e um pipa limpa-fossa tracionados por trator que fazem a coleta na cidade de Monte azul e despeja, sem que haja um planejamento prévio do impacto ambiental de que tudo isto possa trazer, em área designada para lixão pela prefeitura municipal. Essa lixeira a céu aberto está localizada a uma distância de cerca de um quilômetros da praça principal da cidade, à margem da ferrovia que por sua vez margeia o rio Tremedal. O lixão está a menos de 20 metros da margem do rio, separado pelos trilhos ferroviários,mas interligados por uma passagem pluvial que passa sob a malha ferroviária.
O rio Tremedal, que deu o primeiro nome da hoje cidade de Monte azul, e que, com suas águas matou a sede de seus pioneiros habitantes, ainda hoje fornece a água distribuída pela Copasa aos moradores da cidade. Cortando a cidade ao meio, o Tremedal vê sua situação mudar de abastecedor para coletor de esgotos de algumas residências que dispensam a tradicional fossa, já que a cidade não conta com saneamento básico, prometido pela companhia de abastecimento de água mas não cumprido até hoje. A cerca de um quilometro abaixo recebe nos dias chuvosos as águas que banham o lixão da cidade.
O lixão da cidade funcionou até junho de 2001 na margem da BR que da acesso a Mato Verde, sendo transferido para o local atual por ser o lixão fedorento, ter muitas moscas e pela fumaça oriunda da queima do lixo que ameaçava os transeuntes da rodovia, podendo provocar acidentes.
O imóvel onde a prefeitura descarrega tais dejetos desde 2001 é tido como de propriedade do município, contudo, até hoje a prefeitura nunca juntou ao processo prova de propriedade da área, que na verdade é uma rampa de acentuado declive cortado ao meio por uma vala formada pelas águas da chuva em direção ao leito do rio Tremedal.
A verdade é que o lixão virou uma descarga de resíduos a céu aberto e com livre transito de transeuntes pois o local sequer é cercado. Caracteriza-se pela simples descarga do lixo sobre o solo, sem medidas de proteção ao meio ambiente ou à saúde pública.
Deparamos com outros problemas associados, como a presença de gatos, cachorros e até mesmo com cabras levadas pelo proprietário para ¨pastarem ¨revolvendo os entulhos do lixão.
Catadores
Com a falta de portões e cercas há livre trânsito, mesmo quando esta presente o guarda que fica no local das 8 ás 17 horas conforme depoimento do mesmo, e catadores disputam com os animais as montanhas de lixo, a procura principalmente de material reciclável para venda.
Conhecemos Mario Estevão, 79 anos, que diz ter problemas cardíacos, possivelmente chagásico e com histórico de câncer de próstata e que é freguentador assíduo do lixão de Monte Azul que nos diz não poder parar com esse ¨trabalho¨ porque faria falta na complementação de sua aposentadoria por idade.
Deparamos com quem é considerado com o maior catador de recicláveis, Josias, que é funcionário da prefeitura e trabalha como guarda no local, mas que está de férias e diariamente tem ido coletar no lixão e que segundo o mesmo consegue até 40 reais a cada venda realizada.
Deparamos ainda com um catador que recolhia garrafas pet em melhor estado de conservação para repassar a vendedores de leite ¨in natura¨ que se utilizam dos mesmos para embalar o produto e vender à população.Na cidade não há no comércio local a venda de leite pasteurizado ofertado em saquinhos. Catava ainda garrafas de água sanitária que estiver com o rotulo para vender a outra pessoa que adquire os frascos para encher com água sanitária feita em casa e vender a pequenos comerciantes, que por sua vez revende a população como produto original.
Segundo os catadores o material recolhido é vendido para um comprador que se situa estrategicamente no caminho do lixão, sendo que o mesmo não tem concorrente na cidade, e que por duas vezes na semana vai até o lixão e compra a 10 centavos de real o quilo de metais e 15 centavos o de plásticos em geral.

Poluente do Sub-solo e do Ar.
Pilhas, lâmpadas e outros são depositados no solo sem a devida impermeabilização, que alem de serem levados pelas enxurradas ao leito do rio podem contaminar também águas subterrâneas com a infiltração, pois o lixo molhado retém a umidade sob a terra, dando tempo para sua penetração lenta.
Além de riscos naturais de incêndios causados pelo próprio material combustível e gases gerados pela decomposição dos resíduos constatamos que os catadores incendeiam pneus de motos e carros achados no lixão e que, no próprio local usam o fogo como método de separação da borracha para vender o arame como metal. Moradores da zona rural que se utilizam da estrada que margeia o lixão denunciam o fogo premeditado nos finais de semana, período em que o lixo esta acumulado e, segundo eles, o próprio guarda coloca fogo na sexta-feira, passando o final de semana a queimar e produzir fumaça em grande quantidade. Afirmam ainda que, mesmo os que tem residência a mais de 10 quilômetros do local, e de conformidade ao vento, sentem o cheiro forte da queima, principalmente a noite, perturbando o sono dos moradores.
Invasão de Moscas.
A instalação e operação do lixão ocorreram sem a realização do Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental, exigido pela Constituição Federal. Para a instalação e operação de atividade de recebimento de lixo, havia e ainda há a necessidade de o licenciamento ambiental obedecer aos requisitos e critérios técnicos, entre outras, das normas do Conselho Nacional de Meio Ambiente, que foram ignoradas pela municipalidade.

Latas, garrafas e os pneus depositados a céu aberto que esperam pela queima, contribuem para a proliferação de vetores, entre outros problemas.Deparamos ainda com enorme quantidade de moscas, mosquitos e baratas que colocam em risco à saúde dos moradores de Monte azul, pois o lixão se encontra a menos de um quilometro da cidade como indica uma placa nas margens da linha férrea, paralela ao lixão. Nesse momento Monte azul passa por um surto de virose cujos pacientes tem o mesmo sintoma: Cólicas, vômitos e diarréia. Segundo o Laboratório de Engª Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Viçosa (UFV) de Minas Gerais, a má gestão destes resíduos é responsável por 65% das doenças no Brasil.
Toda a cidade se viu invadidas por grande quantidade de moscas do tipo varejeira e de mosquitos, que segundo moradores antigos da cidade, não era visto em outros tempos. Em alguns bairros da cidade é quase impossível fazer uma refeição sem ter a companhia desagradável dos insetos a visitarem pratos e copos. Problema também para as donas de casa no preparo do alimento, com riscos de preparar moscas e servi-las nas refeições.

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Movimento Trem Baiano





O trecho por onde passava o trem do sertão remanescente, ou seja, o que existia quando foi suprimido em 1996, Montes Claros - Monte Azul,foi aberto ao tráfego em pequenos trechos entre os anos de 1942 e de 1948, quando chegou até o seu ponto máximo, encontrando a linha da Viação Férrea Federal do Leste Brasileiro.
Nesse tempo, o trem ainda era parte do TREM BAIANO, sendo uma viagem que exigia baldeações desde São Paulo até Salvador, devido a bitolas e superintendências regionais da RFFSA diferentes por todo o percurso. A partir dos anos 1980, passou a ser apenas o Trem do Sertão,ligando Montes Claros a Monte Azul, indo e voltando. A baldeação em Monte Azul acabou em 1978, pois o trem para Salvador parou nesse ano.
O Trem do Sertão era composto por 8 carros: 1 bagageiro com cabine para o chefe do trem, 4 carros de segunda classe e dois de primeira, completamente lotados. A tração era feita pela locomotiva nº 4058.
O Movimento Sócio Turístico Cultural Amigos do Trem Baiano, surgido em Montes Claros e apoiado pela ONG Movimento Nacional Amigos do Trem, com base em Juiz de Fora, surgiu para trabalhar a revitalização ferroviária no Norte de Minas com enfoque nos trens de passageiros. O ATB é uma OSCIP( Organização Social Civil de Interesse Público ) reconhecida pelo Ministério da Justiça.
Com sede provisória funcionando ultimamente na Praça Francisco Telles de Menezes número 190 em Monte Azul, o Movimento projetou a reforma da estação ferroviária de Catuti em parceria com a administração municipal anterior que tinha como prefeito o senhor Jose Barbosa ( Zinga ) e com o Ministério do Turismo. A estação continua em reforma e também será construída, de acordo ao projeto, a praça do entorno da estação que será transformada em centro Cultural. Agora o ATB esta trabalhando para conseguir todos os outros prédios ferroviários desativados para reforma-los, ou reconstruir de conformidade ao caso, nos mesmos moldes da estação de Catuti.
O ATB está reivindicando também o material rodante, ou seja, a locomotiva e os carros de passageiros, que se encontram no pátio da FCA em Sete Lagoas, para reforma e utilização no trecho Montes Claros a Espinosa.