Aécio Neves defendendo Demóstenes Torres no dia 06/03/2012 durante sessão do Senado, sobre as acusações do envolvimento do "nobre senador" de Goiás com o bicheiro Carlinhos Cachoeíra...
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sexta-feira, 13 de julho de 2012
sexta-feira, 11 de maio de 2012
O Procurador-Geral da República Roberto Gurgel é partidário e usa cargo para proteger demotucanos e por isso é blindado pela Globo.
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| Demostenes e Aécio, protegidos por Gurgel. |
Por que o tucano Aécio Neves defende o Procurador-Geral da República Roberto Gurgel?
O ex-governador de Minas Gerais e senador Aécio Neves tem razões mais do que suficientes para defender a postura do procurador geral da república Roberto Gurgel.
Tanto a postura de Gurgel em negar-se a oferecer denúncias contra o senador Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira em 2009, quando a polícia federal através do delegado Alexandre Marques ofereceu elementos substanciais para o acolhimento das denúncias contra a organização criminosa, quanto a declaração do procurador para a imprensa na tarde de ontem na qual afirma que sua convocação para a CPMI do Cachoeira interessa aos que temem o julgamento do mensalão.
O senador mineiro se apressa em sair atirando contra o Partido dos Trabalhadores, corroborando e fazendo coro as declarações de Gurgel, não apenas por um previsível embate partidário na busca por ocupação de espaço no cenário político nacional, como pode parecer para a maioria.
As relações de Aécio Neves com o procurador Roberto Gurgel podem ser bem mais profundas do que podemos imaginar. Aécio no mínimo tem uma dívida de gratidão com o procurador geral da república. Só para rememorarmos, Roberto Gurgel é o mesmo procurador que ofereceu denúncias ao Supremo Tribunal Federal contra o então ministro dos esportes Orlando Silva, fundamentando-se apenas em reportagens de revistas e jornais.
Já o senador mineiro Aécio Neves que foi denunciado por deputados mineiros por ocultação de patrimônio, sonegação fiscal e enriquecimento ilícito, não teve sequer manifestação de Gurgel até o momento. Aécio Neves foi denunciado ao procurador geral da república por ser sócio de sua irmã Andrea Neves na Rádio Arco-Íris que recebeu recursos públicos do estado de Minas Gerais quando Aécio era governador. A rádio Arco Íris no último ano de Aécio Neves frente ao governo do estado recebeu três vezes mais por publicidade do governo de Minas.
A oposição em Minas Gerais que aguarda pela manifestação do procurador geral da república Roberto Gurgel quanto a denúncia contra Aécio, deve estar entendo melhor agora o motivo da demora da análise dos autos pelo procurador. Pela justificativa do procurador quanto a sua ocultação dos dados das investigações da polícia federal em 2009, pode ser que Aécio também esteja sendo investigado e o procurador esteja apenas aguardando as conclusões e divulgações na imprensa para se manifestar publicamente. Então, quem sabe veremos, quem realmente tem medo do quê e de quem neste país.
terça-feira, 24 de abril de 2012
Com ajuda de Demóstenes, Cachoeira 'nomeou' prima no governo de Minas
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| Senadores Demostenes Torres e Aécio Neves. |
Senador recorreu ao colega e ex-governador Aécio Neves para emplacar Mônica Vieira.
Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo - Escutas telefônicas da Polícia Federal revelam que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) intercedeu diretamente junto a seu colega, Aécio Neves (PSDB-MG), e arrumou emprego comissionado para uma prima do empresário do jogo de azar Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Mônica Beatriz Silva Vieira, a prima do bicheiro, assumiu em 25 de maio de 2011 o cargo de Diretora Regional da Secretaria de Estado de Assistência Social em Uberaba.
Do pedido de Cachoeira a Demóstenes, até a nomeação de Mônica, bastaram apenas 12 dias e 7 telefonemas. Aécio confirma o empenho para atender solicitação de Demóstenes, mas alega desconhecer interesse de Cachoeira na indicação.
São citados nos grampos Marcos Montes (PSD), ex-prefeito de Uberaba, e Danilo de Castro, principal articulador político de Aécio em seu Estado e secretário de Governo da gestão Antonio Anastasia (PSDB), governador de Minas. Eles negam envolvimento na trama.
São citados nos grampos Marcos Montes (PSD), ex-prefeito de Uberaba, e Danilo de Castro, principal articulador político de Aécio em seu Estado e secretário de Governo da gestão Antonio Anastasia (PSDB), governador de Minas. Eles negam envolvimento na trama.
A PF monitorou Cachoeira, a prima e Demóstenes no bojo da Operação Monte Carlo, que desmantelou alentado esquema da contravenção, fez ruir a aura de paladino do senador goiano e expôs métodos supostamente ilícitos da Delta Construções para atingir a supremacia em sua área de ação.
Aécio não caiu no grampo porque não é alvo da investigação. Mas ele é mencionado por Demóstenes e Cachoeira. O contraventor chama Demóstenes de ‘doutor’ e o senador lhe confere o título de ‘professor’.
O grampo que mostra a ascensão profissional da prima de Cachoeira está sob guarda do Supremo Tribunal Federal (STF), nos autos que tratam exclusivamente do conluio de Demóstenes com o bicheiro.
Em 13 de maio de 2011, Aécio é citado pela primeira vez. Cachoeira pede a Demóstenes para “não esquecer” do pedido. “É importantíssimo prá mim. Você consegue por ela lá com Aécio... em Uberaba, pô, a mãe dela morreu. É irmã da minha mãe.”
Demóstenes responde. “Tranquilo. Deixa eu só ligar pro rapaz lá. Deixa eu ligar prá ele.”
A PF avalia que o caso pode caracterizar tráfico de influência. “Seguem ligações telefônicas, divididas por investigado, em ordem cronológica, que contém indícios de possível cometimento de infração penal por parte de seus interlocutores ou pessoas referidas.”
Na síntese que faz da ligação de Cachoeira para Mônica, a 26 de maio – contato durou 3 minutos e 47 segundos –, a PF assinala. “Falam sobre a nomeação de Mônica para a SEDESE/MG, conseguida por Cachoeira junto ao senador Aécio Neves por intermédio do senador Demóstenes Torres e de Danilo de Castro.”
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terça-feira, 10 de abril de 2012
IMPRENSA PERMANECE BLINDADA NO CASO “CACHOEIRA”
“Dezenas de agentes ligados ao esquema do contraventor 'Carlinhos Cachoeira' já estão sob a mira da Justiça, do Congresso, da imprensa e da opinião pública após serem citados nas investigações que deflagraram a operação ‘Monte Carlo’. O envolvimento de jornalistas, porém, não recebe os mesmos holofotes. Questionada, a “Veja” indicou telefone de consultoria jurídica que nega trabalhar em algo relativo à revista.
A “Operação Monte Carlo” resultou na prisão de 35 pessoas acusadas de envolvimento com a quadrilha da jogatina de Carlinhos Cachoeira em Goiás. Entre os acusados, dois delegados da Polícia Federal, seis delegados da Polícia Civil goiana, um agente da Polícia Rodoviária Federal e 29 soldados, cabos e oficiais da Polícia Militar de Goiás.
A classe política também sangra com a operação. Após terem seus nomes mencionados nas investigações do Ministério Público e da Polícia Federal, os deputados Carlos Leréia (PSDB-GO), João Sandes Júnior (PP-GO) e rubens otoni,marconi perillo,Rubens Otoni (PT-GO) e, especialmente, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) já são alvos de diversas reportagens e de um inquérito encaminhado pelo Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Caminho parecido deve seguir o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), dadas as denúncias crescentes na mídia que expõe seus vínculos com Cachoeira.
A classe política também sangra com a operação. Após terem seus nomes mencionados nas investigações do Ministério Público e da Polícia Federal, os deputados Carlos Leréia (PSDB-GO), João Sandes Júnior (PP-GO) e rubens otoni,marconi perillo,Rubens Otoni (PT-GO) e, especialmente, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) já são alvos de diversas reportagens e de um inquérito encaminhado pelo Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Caminho parecido deve seguir o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), dadas as denúncias crescentes na mídia que expõe seus vínculos com Cachoeira.
Mais complicado, entretanto, é vir a público quais são os setores da imprensa envolvidos com a organização criminosa.
Conforme noticiou “Carta Maior”, partes do inquérito que deram origem à “Operação Monte Carlo” - publicadas na internet – citam relações promíscuas de jornalistas com a quadrilha de Cachoeira. Porém, apenas o nome de Wagner Relâmpago, repórter do programa “DF Alerta”, da TV Brasília/Rede TV, é explicitado.
Os três procuradores federais do Ministério Público responsáveis pelo caso - Daniel de Resende Salgado, Léa Batista de Oliveira e Marcelo Ribeiro de Oliveira - não deram maiores informações sobre o envolvimento de jornalistas. “Vamos ter que estudar isso”, limitou-se a dizer o procurador Marcelo Ribeiro.
Por meio de sua assessoria, o juiz da 11ª Vara da Justiça Federal em Goiás, Paulo Augusto Moreira Lima, que expediu os mandados da operação “Monte Carlo”, disse que não vai se pronunciar porque o processo corre em segredo de Justiça e só quem tem acesso a ele são as partes envolvidas e seus procuradores.
Porém, diversas outras informações, além daquelas que já são públicas devido ao vazamento de trechos do inquérito citado acima, seguem sendo meticulosamente reveladas por veículos de comunicação. Mas, praticamente, nada diz respeito aos jornalistas envolvidos.
Rara exceção foi o jornalista Luis Nassif, que obteve a informação de que as investigações registraram mais de 200 telefonemas entre Cachoeira e o diretor da revista “Veja” em Brasília, Policarpo Júnior.
No intuito de se defender, no último sábado (31), a revista tornou pública a gravação de uma conversa, que teria sido feita em 8 de julho de 2011, entre Cachoeira e o ex-agente da ABIN, Jairo Martins, acusado pela Justiça de pertencer à quadrilha. Na conversa, Cachoeira cita Policarpo como “alguém que nunca vai ser nosso” e ainda afirma que foi seu grupo quem deu “os grande furos do Policarpo”,“limpando esse Brasil, rapaz, fazendo um bem do caralho pro Brasil, essa corrupção aí”.
Para Nassif, essa gravação não é suficiente para desfazer a associação da quadrilha com a revista, entre outras razões, porque foi registrada em uma época em que a antiga relação entre elas já estava esgarçada. “Há um vazamento seletivo. Por que não divulgam os demais grampos?”, indaga.
Procurada pela reportagem, a revista “Veja” alegou que o assunto deveria ser tratado com seu departamento jurídico. Entretanto, no telefone informado, a “Novoa Prado Consultoria Jurídica” afirmou que, apesar de já ter prestado serviços para a “Editora Abril”, nunca trabalhou em nada relativo à revista “Veja”.
O assunto parece mesmo proibido nos veículos da mídia tradicional, ainda que em mínimas proporções. O blog “Rádio do Moreno”, que faz parte da edição digital do jornal “O Globo”, teve que retirar do ar, na sexta-feira 30, um texto do colaborador Théofilo Silva. O artigo mencionava que “o poderoso editor da revista Veja” estaria envolvido com Cachoeira e indagava: “se você compra a imprensa e as autoridades públicas, o que mais falta para ser o dono do Estado?”
Na nota em que comunicou a retirada do texto, Jorge Moreno disse ter recebido “uma grave e merecida advertência do diretor de redação, Ascânio Seleme”; alegou falta de apuração e concluiu “não considero correto que um blog de jornalista agrida outro jornalista”.
Isso já vem de longe...:
Isso já vem de longe...:
FONTE: escrito por Vinicius Mansur e publicado no site “Carta Maior”
domingo, 1 de abril de 2012
Deputado tucano é o mais novo acusado de envolvimentos com Cachoeira
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| Tucanos ¨encachueirados¨. |
Diálogos interceptados pela Polícia Federal, com autorização da Justiça, revelam que o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) também negociava com a organização comandada pelo contraventor Carlos Alberto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O tucano, segundo as investigações, recebeu depósitos bancários e bens - inclusive imóveis - obtidos com atividades ilícitas.
Leréia é aliado do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e, a exemplo do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), também usava um telefone da marca Nextel, habilitado nos Estados Unidos, cedido por Cachoeira para dificultar grampos nas comunicações do grupo.
Ele é um dos seis parlamentares relacionados até agora como alvos do inquérito criminal aberto no Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Procuradoria-Geral da República. Os outros são os deputados Jovair Arantes (PTB), Rubens Otoni (PT) e Sandes Júnior (PP), todos de Goiás, além de Stepan Nercessian (PPS-RJ), que confirmou ter recebido R$ 175 mil de Cachoeira, segundo a edição de ontem do jornal Folha de S. Paulo. Ainda ontem Stepan pediu, por meio de nota, licença temporária do PPS e de todos os cargos e funções que ocupa no partido.
Entre os valores destinados ao deputado tucano e já rastreados estão um depósito de R$ 100 mil, feito na conta de uma empresa comandada supostamente por laranjas - a Linkmidia Tecnologia da Informação e Editoração Ltda - e uma sociedade com Cachoeira em terreno avaliado em R$ 800 mil, em um condomínio de luxo em Goiânia.
Leréia informou pela assessoria que só vai se manifestar sobre as acusações depois que tiver pleno acesso aos autos do inquérito.
A empresa Linkmidia fica em Formosa (GO), a 80 quilômetros de Brasília, e está registrada em nome de Hugo Teixeira, mas pertence de fato ao pai, Leônidas Teixeira, segundo apurou a PF.
Governador, senador, deputados, policiais e funcionários federais na folha e imprensa na mão.
Informações extraídas da investigação da Polícia Federal que prendeu dezenas de integrantes da quadrilha do bicheiro goiano Carlinhos Cachoeira mostram também que expoentes da publicação da Editora Abril trocaram centenas de telefonemas com o criminoso. Em sua última edição, a revista VEJA admite esses e outros tipos de contato com ele e apresenta gravações da PF em que membros da quadrilha reclamam do editor da revista Policarpo Jr.
A revista não explica concretamente a razão de se relacionar tão intensamente com criminoso que chefiava uma quadrilha que, segundo inquérito judicial em curso, reunia “43 agentes públicos, distribuídos entre 6 delegados da Polícia Civil, 30 policiais militares, 2 delegados da Polícia Federal, 1 servidor administrativo da Polícia Federal, 1 policial rodoviários federal, 2 agentes da Polícia Civil e 2 servidores públicos municipais”.
sábado, 31 de março de 2012
segunda-feira, 26 de março de 2012
Caso Policarpo-Cachoeira assusta e silencia Veja
247 – Acostumada a distribuir lições de moral e civismo, todas as semanas, a seus leitores, a revista Veja entrou numa pesada enrascada ética. Recém nomeado para a cúpula da publicação, no cargo de redator-chefe, dividido com outros dois profissionais, o diretor da sucursal da revista em Brasília, Policarpo Jr., foi detectado num grampo legal feito pela Polícia Federal em nada menos que 200 ligações telefônicas com o contraventor Carlinhos Cachoeira. Segundo o blog do jornalista Luis Nassif, que primeiro noticiou a existência dos registros das gravações, nas conversas Policarpo passava a Cachoeira informações sobre o que iria sair na revista, ouvia ideias de pautas e recebia elogios de sua fonte. Na prática, ambos compunham um circuito privilegiado de relações entre o sub-mundo da ilegalidade e a alta mídia acima de qualquer suspeita.
A notícia sobre o flagrante nas relações entre um de seus profissionais de ponta e um procurado pela Justiça, preso na Operação Monte Carlo, da PF, parece ter assustado o comando da publicação. Procurado por 247, o diretor de redação Eurípedes Alcântara não quis dar entrevista. Ele não tem dado muita sorte com redatores-chefes ultimamente. Em dezembro, precisou demitir do cargo seu antigo parceiro Mario Sabino, abatido por traquinagens como a de coordenar uma reportagem que terminou numa delegacia de polícia, sob acusação de invasão de domicílio. O profissional que deveria substituí-lo, o jornalista André Petry, chefe do escritório da revista em Nova York, foi barrado por Eurípedes que, no melhor estilo dividir para reinar, conseguiu a nomeação de três colaboradores para a mesma função. Entre eles, o grampeado Policarpo.
O diretor de Veja em Brasília é conhecido entre os colegas por ter ótimas fontes na Polícia Federal, de onde teria saído a maior carga de munição para o verdadeiro paiol de escândalos em que a revista foi transformada. À medida em que jornalistas como Policarpo Jr. passaram a crescer no expediente da revista, galgando cargos cada vez mais importantes, mais Veja se tornou arauto da moralidade, distribuindo não apenas acusações fortes contra diferentes autoridades, mas também espalhando sentenças de condenação ética aos envolvidos. Veja tornou-se um tribunal de acusação, uma praça condenatória e uma dura corte de apelação.
E agora, como a revista vai agir diante do escândalo que liga seu diretor em Brasília a um contraventor cuja estratégia, como se vê pelas ligações dele com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), era, exatamente, a de se infiltrar no chamado establishment? Será que o procurado Cachoeira, com seus interesses inconfessáveis à lei, pautou Veja? Receptor de informações privilegiadas sobre a condução do noticiário da revista de maior circulação em papel do País, como Cachoeira usava as mensagens que recebia do diretor de Brasília? É mesmo possível que essa relação não tenha poluído a propalada isenção da publicação? Há ligações entre as posições que ele defendia, a favor da legalização do jogo no Brasil, por exemplo, e as que a revista abraçou editorialmente?
Sobre essas interrogações, Veja agora faz silêncio. 247 procurou tanto Policarpo, em Brasília, como Eurípedes, em São Paulo, sem obter retorno. Numa decisão que pode, certamente, ter envolvido a ambos, Veja não publicou em sua edição de papel, mas noticiou no seu serviço online sobre os estragos que as ligações de Cachoeira no meio político vêm fazendo nas reputações de políticos e executivos públicos envolvidos com ele. Com Policarpo, de Veja, será diferente?
A notícia sobre o flagrante nas relações entre um de seus profissionais de ponta e um procurado pela Justiça, preso na Operação Monte Carlo, da PF, parece ter assustado o comando da publicação. Procurado por 247, o diretor de redação Eurípedes Alcântara não quis dar entrevista. Ele não tem dado muita sorte com redatores-chefes ultimamente. Em dezembro, precisou demitir do cargo seu antigo parceiro Mario Sabino, abatido por traquinagens como a de coordenar uma reportagem que terminou numa delegacia de polícia, sob acusação de invasão de domicílio. O profissional que deveria substituí-lo, o jornalista André Petry, chefe do escritório da revista em Nova York, foi barrado por Eurípedes que, no melhor estilo dividir para reinar, conseguiu a nomeação de três colaboradores para a mesma função. Entre eles, o grampeado Policarpo.
O diretor de Veja em Brasília é conhecido entre os colegas por ter ótimas fontes na Polícia Federal, de onde teria saído a maior carga de munição para o verdadeiro paiol de escândalos em que a revista foi transformada. À medida em que jornalistas como Policarpo Jr. passaram a crescer no expediente da revista, galgando cargos cada vez mais importantes, mais Veja se tornou arauto da moralidade, distribuindo não apenas acusações fortes contra diferentes autoridades, mas também espalhando sentenças de condenação ética aos envolvidos. Veja tornou-se um tribunal de acusação, uma praça condenatória e uma dura corte de apelação.
E agora, como a revista vai agir diante do escândalo que liga seu diretor em Brasília a um contraventor cuja estratégia, como se vê pelas ligações dele com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), era, exatamente, a de se infiltrar no chamado establishment? Será que o procurado Cachoeira, com seus interesses inconfessáveis à lei, pautou Veja? Receptor de informações privilegiadas sobre a condução do noticiário da revista de maior circulação em papel do País, como Cachoeira usava as mensagens que recebia do diretor de Brasília? É mesmo possível que essa relação não tenha poluído a propalada isenção da publicação? Há ligações entre as posições que ele defendia, a favor da legalização do jogo no Brasil, por exemplo, e as que a revista abraçou editorialmente?
Sobre essas interrogações, Veja agora faz silêncio. 247 procurou tanto Policarpo, em Brasília, como Eurípedes, em São Paulo, sem obter retorno. Numa decisão que pode, certamente, ter envolvido a ambos, Veja não publicou em sua edição de papel, mas noticiou no seu serviço online sobre os estragos que as ligações de Cachoeira no meio político vêm fazendo nas reputações de políticos e executivos públicos envolvidos com ele. Com Policarpo, de Veja, será diferente?
sexta-feira, 23 de março de 2012
Os 30% de Demóstenes
A Polícia Federal tem conhecimento, desde 2006, das ligações no bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás.
Três relatórios assinados pelo delegado Deuselino Valadares dos Santos, então chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros (DRCOR), da Superintendência da PF em Goiânia, revelam que Demóstenes tinha direito a 30% da arrecadação geral do esquema de jogo clandestino, calculada em, aproximadamente, 170 milhões de reais nos últimos seis anos.
Segundo relatório da Polícia Federal, 30% é o percentual que o senador do DEM recebia do bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Na época, o império do bicheiro incluía 8 mil máquinas ilegais de caça-níqueis e 1,5 mil pontos de bingos. Como somente no mês passado a jogatina foi desbaratada, na Operação Monte Carlo, as contas apresentadas pela PF demonstram que a parte do parlamentar deve ter ficado em torno de 50 milhões de reais. O dinheiro, segundo a PF, estava sendo direcionado para a futura candidatura de Demóstenes ao governo de Goiás, via caixa dois.
A informação, obtida por CartaCapital, consta de um Relatório Sigiloso de Análise da Operação Monte Carlo, sob os cuidados do Núcleo de Inteligência Policial da Superintendência da PF em Brasília. Dessa forma, sabe-se agora que Demóstenes Torres, ex-procurador, ex-delegado, ex-secretário de Segurança Pública de Goiás, mantinha uma relação direta com o bando de Cachoeira, ao mesmo tempo em que ocupava a tribuna do Senado Federal para vociferar contra a corrupção e o crime organizado no País.
O senador conseguiu manter a investigação tanto tempo em segredo por conta de um expediente tipicamente mafioso: ao invés de se defender, comprou o delegado da PF.
Deuselino Valadares foi um dos 35 presos pela Operação Monte Carlo, em 29 de fevereiro. Nas intercepções telefônicas feitas pela PF, com autorização da Justiça, ele é chamado de “Neguinho” pelo bicheiro. Por estar lotado na DRCOR, era responsável pelas operações policiais da Superintendência da PF em todo o estado de Goiás. Ao que tudo indica, foi cooptado para a quadrilha logo depois de descobrir os esquemas de Cachoeira, Demóstenes e mais três políticos goianos também citados por ele, na investigação: os deputados federais Carlos Alberto Leréia (PSDB), Jovair Arantes (PTB) e Rubens Otoni (PP).
Ao longo da investigação, a PF descobriu que, nos últimos cinco anos, o delegado passava informações sigilosas para o bando e enriquecia a olhos vistos. Tornou-se dono de uma empresa, a Ideal Segurança Ltda, registrada em nome da mulher, Luanna Bastos Pires Valadares. A firma foi montada em sociedade com Carlinhos Cachoeira para lavar dinheiro. Também comprou fazendas em Tocantins, o que acabou por levantar suspeitas e resultar no afastamento dele da PF, em 2011.
O primeiro relatório do delegado Deuselino Valadares data de 7 de abril de 2006, encaminhado à Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio (Delepat) da PF em Goiânia. Valadares investigava o escândalo da Avestruz Master, uma empresa que fraudou milhares de investidores em Goiás, quando conheceu o advogado Ruy Cruvinel. Cruvinel chamou Valadares para formar uma parceria a fim de criar “uma organização paralela” à de Carlinhos Cachoeira. O suborno, segundo o delegado, seria uma quantia inicial de 200 mil reais. Ele, ao que parece, não aceitou e decidiu denunciar o crime.
Em 26 de abril de 2006, o relatório circunstanciado parcial 001/06, assinado por Deuselino Valadares, revelou uma ação da PF para estourar o cassino de Ruy Cruvinel, no Setor Oeste de Goiânia. Preso, Cruvinel confessou que, dos 200 mil reais semanais auferidos pelo esquema (Goiás e entorno de Brasília), 50%, ou seja, 100 mil reais, iam diretamente para os cofres de Carlinhos Cachoeira.
Outros 30% eram destinados ao senador Demóstenes Torres, cuja responsabilidade era a de remunerar também o então superintende de Loterias da Agência Goiânia de Administração (Aganp), Marcelo Siqueira. Ex-procurador, Siqueira foi indicação de Demóstenes e do deputado Leréia para o cargo. Curiosamente, ao assumir a função, um ano antes, ele havia anunciado que iria “jogar duro” contra o jogo ilegal em Goiás.
Em 31 de maio de 2006, de acordo com os documentos da Operação Monte Carlo, Deuselino Valadares fez o relatório derradeiro sobre o esquema, de forma bem detalhada, aí incluído um infográfico do “propinoduto” onde o bicheiro é colocado ao centro de uma série de ramificações criminosas, ao lado do senador do DEM e do ex-procurador Marcelo Siqueira. Em seguida, misteriosamente, o delegado parou de investigar o caso.
“Verificado todo o arquivo físico do NIP/SR/DPF/GO não foi localizado nenhum relatório, informação ou documentos de lavra do DPF DEUSELINO dando conta de eventual continuidade de seus contatos com pessoas ligadas à exploração de jogos de azar no Estado de Goiás”, registrou o delegado Raul Alexandre Marques de Souza, em 13 de outubro de 2011, quando as investigações da Monte Carlo estavam em andamento.
A participação do senador Demóstenes Torres só foi novamente levantada pela PF em 2008, quando uma operação também voltada à repressão de jogo ilegal, batizada de “Las Vegas”, o flagrou em grampos telefônicos em tratativas com Carlinhos Cachoeira. Novamente, o parlamentar conseguiu se safar graças a uma estranha posição da Procuradoria Geral da República, que recebeu o inquérito da PF, em 2009, mas jamais deu andamento ao caso.
Da Carta Capital - 23/3/2012
Por Leandro Fortes
quarta-feira, 21 de março de 2012
Demóstenes perde rede de proteção no Senado
247 – A relação entre o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e o bicheiro Carlinhos Cachoeira deve render investigação no Senado. O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) protocolou nesta terça-feira (20) uma representação assinada também pelo senador Pedro Taques (PDT-MT) pedindo a apuração das “denúncias divulgadas na imprensa contra o Senador Demóstenes Torres”. Cachoeira teria trocado quase 300 ligações com Demóstenes e lhe presenteou com eletrodomésticos no valor total de R$ 47 mil. Além disso, o senador teria uma faculdade em sociedade oculta cujo parceiro fica apenas no ar.
Segundo a Revista Época, Cachoeira habilitou, nos Estados Unidos, 15 rádios Nextel, devidamente distribuídos entre pessoas de sua confiança. A habilitação em país estrangeiro teria a finalidade de impedir que os mesmos fossem alvo de monitoramento pela polícia. Entre os contemplados com os aparelhos estaria Demóstenes Torres.
Cachoeira foi preso no dia 29 de fevereiro deste ano, acusado de chefiar uma quadrilha especializada em explorar máquinas caça-níqueis. A prisão foi resultado da Operação Monte Carlo, desencadeada pela Polícia Federal em parceria com o Ministério Público Federal e a Receita Federal.
Autor do pedido de investigação, Randolfe Rodrigues ressaltou que as acusações são graves e é necessário que o Senado tome as rédeas da apuração. Na representação, o senador amapaense solicita também que o Congresso Nacional requeira ao procurador-geral da República todas as informações e documentos que apontam o envolvimento de parlamentares nas ações investigadas pela Operação Monte Carlo, visando a adotar as providências cabíveis no caso.
Segundo a Revista Época, Cachoeira habilitou, nos Estados Unidos, 15 rádios Nextel, devidamente distribuídos entre pessoas de sua confiança. A habilitação em país estrangeiro teria a finalidade de impedir que os mesmos fossem alvo de monitoramento pela polícia. Entre os contemplados com os aparelhos estaria Demóstenes Torres.
Cachoeira foi preso no dia 29 de fevereiro deste ano, acusado de chefiar uma quadrilha especializada em explorar máquinas caça-níqueis. A prisão foi resultado da Operação Monte Carlo, desencadeada pela Polícia Federal em parceria com o Ministério Público Federal e a Receita Federal.
Autor do pedido de investigação, Randolfe Rodrigues ressaltou que as acusações são graves e é necessário que o Senado tome as rédeas da apuração. Na representação, o senador amapaense solicita também que o Congresso Nacional requeira ao procurador-geral da República todas as informações e documentos que apontam o envolvimento de parlamentares nas ações investigadas pela Operação Monte Carlo, visando a adotar as providências cabíveis no caso.
terça-feira, 6 de março de 2012
DEM não tem mais candidato à Presidência para campanha de 2014
A legenda que já era considerada em Brasília como a mais corrupta de todas, perde agora seu mais exemplar garoto-propaganda.
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| Demóstenes -1,4 telefonemas por dia para bicheiro. |
Depois de enfrentar uma das maiores crises de sua história, com a perda de correligionários para o recém-criado PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, a direção do DEM pretendia recuperar espaço nas eleições municipais de 2012 para lançar um candidato próprio para a sucessão presidencial. Mas a perspectiva naufragou de vez.
A legenda que já era considerada em Brasíia como a mais corrupta de todas, segundo o ranking divulgado pelo Movimento de Combate à Corrupção eleitoral, perde agora seu mais exemplar garoto-propaganda. Presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) se apresentava como o linha-dura da ética. Mas bastou um presente de US$ 27 mil de uma amizade próxima com o bicheiro Carlinhos Cachoeira para essa imagem despencar, e junto com ela, as pretensões do DEM para 2014.
A Polícia Federal enviou ao STF transcrições de 298 ligações telefônicas trocadas entre o senador Demóstenes e Carlinhos Cachoeira entre fevereiro e agosto de 2011 – na média, 1,4 telefonema por dia. “Fala, professor, melhorou?” Era assim que Demóstenes se dirigia ao contraventor.
Questionado sobre suas relações com o Don Corleone brasileiro, Demóstenes soltou uma pérola: “Pensei que ele tivesse abandonado a contravenção e se dedicasse apenas a negócios legais”. O Brasil todo sabia da fama de Carlinhos Cachoeira. Especialmente em Goiás, onde ele administrava uma rede de cassinos ilegais. O que foi recentemente revelado é que ele dava as cartas no governo de Goiás, nomeando delegados e técnicos de várias áreas do governo.
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